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Especial: “Jules e Jim: uma mulher para dois”.

Posted on jan 13, 2008 05:36:49 PM

Jules e Jim
“Jules e Jim é um sonho: Todos nós sofremos diante do aspecto provisório de nossos amores e esse filme nos leva justamente a sonhar com amores definitivos”.
(François Truffaut, 1975).

Bem antes de começar falar diretamente sobre o filme vou colocar uma pequena explicação sobre movimento chamado Nouvelle Vague, do qual Truffaut foi um dos  fundadores e mais influente membro. Jules e Jim é a obra prima deste movimento.

Então vamos lá, como principal crítico da Carriers Du Cinema em meados dos anos 50, Truffaut idealizaria a Nouvelle Vague sob a orientação de André Bazin e com talentos chamados “Jovens Turcos” (Claude Chabrol, Eric Rohmer, Jacques Rivette e Jean-Luc Godard). Juntos instituíram a famosa “política dos autores”, na qual considerava a produção individual do Diretor/Produtor, com câmeras mais leves, luz natural, som direto, filmes mais sensíveis, jovens amantes de cinema e inquietos loucos para falar da realidade. Os cineastas da Nouvelle Vague filmaram a juventude, a política, o futuro, o cinema, o passado e principalmente o amor mostrado em Jules e Jim.

Agora sim, vamos para filme!

Jules e Jim: uma mulher para dois (Jules et Jim), foi o terceiro e mais cultuado filme do francês François Truffaut, que por pura sorte em suas andanças pelos sebos de Paris encontrou o livro de Henri-Pierre Roché; gostou tanto da obra que resolveu fazer a adaptação do livro nos presenteando com seu “hino à vida”. Jules e Jim marcou a geração dos anos 60 se tornando um dos maiores filmes de amor de todos os tempos, sendo muito discutido em rodas de cinéfilos até os dias de hoje. Alguns amam a Catherine, outros a odeiam; uns criticam a postura de Jules, outros gostariam de entendê-lo. Já o Jim…pobre Jim…

Truffaut de forma brilhante nos conta a história de dois amigos: o alemão Jules (Oskar Werner, que trabalharia novamente com diretor em Fahrenheit 451), um pouco tímido,  que não conseguia entender as mulheres como o seu amigo (e isso fica evidente logo no inicio do filme quando os dois conhecem a francesa “Locomotiva”), e o francês Jim (Henri Serre) mais solto e extrovertido do que Jules. Jim ensinou a Jules tudo o que sabia sobre as mulheres e Paris; se tornaram inseparáveis, dois amigos de verdade desfrutando de tudo o que a capital francesa podia lhes proporcionar, e que por ironia do destino se apaixonam pela mesma mulher, a misteriosa e impulsiva Catherine (Jeanne Moureau, que está linda e memorável, principalmente na cena em que ela canta a canção “Turbilhão da Vida”). Catherine fisga os dois por ser diferente de todas as outras mulheres que os dois já conheceram, profunda e rasa ao mesmo tempo, culta e inculta, alegre e triste. Uma mulher paradoxal em todos os sentidos.

Logo os três boêmios se tornam um trio inseparável que busca aproveitar todos os prazeres da vida. Dando início a um bizarro e insano triângulo, que se estende por décadas de dor experimentadas no amor sem dono dos personagens, com um final surpreendente que nos faz refletir sobre o amor livre. Truffaut prova de que o verdadeiro sofrimento não apenas vence o tempo, como também é catalisador da incansável busca pela felicidade de todos nós.

Em sua direção fantástica e sutil, no melhor estilo Nouvelle Vague, Truffaut utiliza fotogramas pausados ao longo do filme, além de criar a maior tomada de sua carreira , a  excepcional cena na ponte, na qual os três personagens disputam uma corrida com a câmera em movimento. Fora a critica que ele faz ao amor louco e sem rumo, que anos mais tarde os hippes entenderam como o marco da luta pelo amor livre. É, cada pessoa tem uma interpretação…a dos hippes foi essa…

Enfim, Jules e Jim é um filme que todos os amantes de cinema – como eu – devem ver e rever muitas vezes.

(Jules et Jim, 1962, FRA).
Direção: François Truffaut
Elenco: Jeanne Moreau, Henri Serre, Oskar Werner.
Duração: 105 minutos.
Os Extras do DVD:
FORMATO DE TELA: Widescreen (anamorfico2. 35:1) P& B / LEGENDAS: Português/ ÁUDIO: Francês Dolby / EXTRAS: Trailer; Vida e Obra de François Truffaut, Jules e Jim uma Homenagem; Fortuna Critica.


postado por: Charles Foster Kane

Comentários

  1. janeiro 14, 2008 06:23 pm
    fabinho |

    Jules e JIm é muito loko, esse filme é fantástico, que filme Truffaut foi iluminado quando fez esse filme.

  2. janeiro 17, 2008 05:33 pm
    Priscila |

    Charles Foster Kane!!! ki legal seu post.. nem li ainda… mas deve ta legal…

    hauahua

    Bju!!:haha:

  3. janeiro 17, 2008 05:34 pm
    Priscila |

    : evil: : haha: : cb: : jedi:

  4. maio 26, 2008 12:56 pm
    Roger Rodrigues | rodkathinks.blogspot.com

    Charles!
    Assisti Jules et Jim este domingo e amei! Já conhecia de longa data a repercussão do filme, mas é muito melhor conferir com os próprios olhos. Um deleite para quem deseja algo mais profundo que o enlatado americano.
    Um abraço!

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